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Imigração Ucraniana
Galícia na década de 1890 e motivo da emigração
Galícia foi província do império austro-húngaro de 1772 até 1918. E é por isso que os ucranianos vieram com passaporte austríaco ou polonês. Na época da imigração os ucranianos eram conhecidos como rutenos.
 

No final do século XIX a Galícia era uma província que pertencia ao império austro-húngaro e abrangia sul da Polônia e sudoeste da Ucrânia.

Em 1890 a região tinha 4 milhões e 300 mil habitantes, dos quais 65% eram ucranianos, 15% poloneses, 12% judeus e o restante austríacos e alemães.

A Galícia era a região mais densamente povoada na europa. Além disso, havia uma grande desproporção étnica-social quanto à ocupação das terras.

A maioria dos ucranianos era propietária de 48% das terras, enquanto 2 mil latifundiários poloneses eram donos de 30% das terras, e 22% dessa terra era da população agrícola polonesa.
Para sobreviver os ucranianos tinham apenas 2,6 hectares de terra. O governo austríaco não tomava nenhuma providência para alterar ou melhorar essa situação.

Região pobre e carente de terras, a solução era emigrar para outro país. Inicialmente os ucranianos emigraram para os Estados Unidos, em seguida para o Canadá e finalmente para o Brasil, além de outros países, como Austrália, Argentina, Venezuela, etc.
Baseado no livro: Ivan Frankó - Para o Brasil


Rota da imigração dos ucranianos ao Brasil

Após entrar em contato com agentes de viagens, as famílias deixavam ou vendiam seus bens. Era para as cidades de Lviv e Stryi, na Ucrânia, que os emigrantes se direcionavam, local este onde toda a documentação necessária para a viagem era feita. Depois dos passaportes serem emitidos e demais formalidades serem cumpridas, o trajeto até o Porto de Genova era bastante extenso e esse trajeto era feito de trem e nunca levava menos de 3 ou 4 dias. Estes percursos foram utilizados entre os anos de 1891 a 1914. Fonte: Ateliê de História.
 
Os processos imigratórios no Brasil são recentes em termos históricos, e se inserem na emergência e consolidação do capitalismo. De modo geral, a imigração é investimento compensador: de um lado, o imigrante significa capital de trabalho; de outro lado, é portador de bens culturais que enriquecem a sociedade de adoção. Além disso, a sua mão-de-obra significou a implantação do regime de trabalho livre, propiciou transformações na estrutura agrária brasileira e democratizou o uso da terra, possibilitando o surgimento de uma classe média rural. Com o regime de pequenas propriedades, desenvolveram-se atividades agrículas diversificadas, que contribuíram para dar maior equilíbrio às estruturas econômicas do país, sobretudo nas regiões beneficiadas pela localização se núcleos de colonização.
De igual modo, a política imigratória brasileira se insere nessa emergência e consolidação do capitalismo, uma vez que os imigrantes ucranianos são chamados a criar uma agricultura de abastecimento e fornecer trabalhadores para as grandes obras públicas.
Na segunda metade do séc. XIX, a onda emigratória chegou aos países da Europa oriental e central, de onde conseguiu retirar para além do oceano milhares de emigrantes ucranianos, muitos dos quais se fixaram no Brasil.
O desenvolvimento histórico da imigração ucraniana no Brasil muitas vezes foi (e continua sendo...) dramático para o imigrante, condição a que não fica imune o pesquisador dessa imigração: um dos graves problemas é a falta de dados estatísticos comparativos que levem às cifras exatas relativas a essa corrente imigratória, já que são muito escassos os documentos nos arquivos portuários ou similares. Essa escassez é agravada por contigências históricas, como, por exemplo, as divisões geográficas da Europa, quando populações de diferentes formações étnico-culturais passaram por domínios políticos de diversos, resultando isso em que muitos imigrantes entravam no país com passaporte do governo ao qual estavam submetidos.
Não obstante, a maioria dos autores fixa o ano de 1895 como ponto de partida, pois data desse ano a chegada ao Paraná da primeira grande leva de ucranianos, provenientes da Galícia. Consta que grupos de ucranianos teriam vindo em 1876 e 1881, informações que não podem ser tomadas como referência em virtude da falta de documentação convergente. Estes colonos, ao que se deduz, mesclaram-se com os habitantes locais, de modo que hoje constam apenas seus nomes na lista de imigrantes eslavos.

Propaganda: Com a aproximação da abolição da escravidão africana no Brasil, a política imigratória então adotada no país possuia dois objetivos básicos: fundar colônias nos estados meridionais para criar uma cultura de subsistência e obter mão-de-obra para as fazendas cafeicultoras, especialmente as de São Paulo.
Para tanto, o governo brasileiro assinou contratos com várias companhias de navegação transoceânica. Estas recebiam do governo o capital empatado na viagem com o lucro correspondente, no prazo de vinte dias após o desembarque dos imigrantes na ilha das Flores, na Baía de Guanabara.
"Agentes" espalhavam pela Europa artigos, livretos e comunicados sobre as condições dos mais propícios para sua atuação, e a propaganda decaia em lamentáveis excessos, que exploravam a credulidade dos camponês.
Entre tais agentes encontrava-se o famigerado Gergoletto, de procedência italiana, que em 1893, dosfarçado de simples camponês, visitou centenas de aldeias e povoados ucranianos. Apresentava-se ele como Rodolfo de Habsburgo, herdeiro do trono austríaco, que cometera suicídio em 1889 (Tragédia de Mayerling) mas em cuja morte os camponeses ucranianos não acreditavam, convencidos de que o único filho do imperador Francisco José vivia oculto por razões diversas. O impostor promoveu a propaganda de emigração para o Brasil, não se limitando a motivos de ordem econômica. Aliou-se a certos movimentos de caráter sócio-político e às tendências da população. Esse agente inescrupuloso prometia ilimitadas terras férteis e floretas e casas, de graça, e gado, cavalos e dinheiro para as despesas iniciais, chegando ao absurdo de prometer fundar no Brasil o "reino ruteno" de Rodolfo, livre da exploração da nobreza.
A partir de 1895, teve início uma verdadeira debandada de camponeses da Ucrânia para o Brasil, às custas do governo republicano. No decurso de dois anos, mais de cinco mil famílias abandonaram suas aldeias e, na grande maioria, fixaram-se no Paraná; entre 1897 e 1907, mais de mil emigraram às próprias custas. Com a renovação do transporte gratuíto em 1907, novas grandes levas de emigrantes dirigiram-se ao Paraná.


A viagem de navio dos imigrantes

 
A maioria dos imigrantes vinham na terceira classe, e os navios sempre estavam superlotados e as precárias condições sanitárias favoreciam a proliferação de doenças contagiosas, pois os porões eram escuros, úmidos e mal ventilados.
Além dos surtos de piolho, as doenças mais comuns eram o sarampo e a cólera. Era comum ocorrências de mortes durante a viagem. Quando alguém morria, o corpo era colocado dentro de um saco de lona juntamente com algumas pedras de carvão mineral para fazer peso. Costurava-se o saco que, após uma rápida cerimônia religiosa, era lançado ao mar. Esse procedimento era necessário para evitar o contágio dos demais passageiros.


Hospedaria Ilha das Flores

Aspecto do Refeitório na Iha das Flores. Os imigrantes ficavam no máximo quinze dias na hospedaria.
 
No Brasil existiam diversas hospedarias que recebiam os imigrantes uma delas era, A Hospedaria Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, por onde passaram muitos ucranianos, que funcionou entre os anos de 1877 até 1966.

Depois de uma longa jornada da Europa ao Brasil os navios ficavam atracados perto do porto. Para levá-los até arquipélago, eram utilizadas pequenas embarcações que carregavam entre quinze e vinte pessoas até a hospedaria. Aí eram registrados e passavam por um exame médico, onde se verificava o seu estado de saúde, visando prevenir a entrada de doenças infecciosas.
Depois, eram encaminhados aos alojamentos, em número de quatro: um principal, na região sul da ilha, bem próximo à administração da hospedaria, e os outros três na parte norte. Os alojamentos eram divididos levando em conta o gênero e o estado civil. Os imigrantes eram acomodados em quartos reservados a jovens solteiros, a homens casados, a mulheres solteiras e a mulheres casadas com filhos pequenos.
Guardados os pertences, os imigrantes eram encaminhados ao refeitório, onde, pela primeira vez, tinham contato com os pratos básicos da cozinha brasileira, o feijão com arroz, que tanta estranheza causava a alguns deles.
Fonte: hospedariailhadasflores.com.br


A Imigração Ucraniana no Paraná: Pode-se considerar que a imigração ucraniana no Paraná realizou-se em três etapas distintas. A primeira data dos fins do século XIX, quando milhares de ucranianos (sobretudo lavradores da Galícia e Bukovina, que, desde o Congresso de Viena, estavam sob domínio da Áustria, em consequência da superpopulação agrária e débil industrialização bem como das más condições sócio-econômicas) abandonaram as terra negras e transferiram-se para poutros países, entre os quais o Brasil, onde se fixaram especialmente no Estado do Paraná.
A segunda etapa ocorreu após a primeira Guerra Mundial. Os motivos, desta vez, eram sobretudo políticos. Isto porque a Ucrânia não ficou alheia aos movimentos liberais do século XIX, que caracterizaran a Europa. Mesmo em fins da primeira Guerra Mundial, e na época do armistício, movimentos revolucionários agitavam o país. Em meio a todo tipo de dificuldades, os nacionalista ucranianos trabalhavam arduamente para restabelecer os alicerces do seu estado, proclamando, em 22 de janeiro de 1919, em Kiev, a unificação dos Estado Ucranianos numa só República.
Entretanto, o governo que proclamou essa unificação não teve forças suficientes para mantê-la. No Leste da Ucrânia, os russos estabeleceram seu controle. Quando à Ucrânia do Oeste, era intenção da Conferência de Paz, de paris, outorgar-lhe o direito de autodeterminação e governo próprio. Contudo, em 1923, foi reconhecida a soberania da Polônia sobre este território. Esses acontecimentos causaram grande êxodo dos ucranianos para o Ocidente.
Os imigrantes desta segunda etapa eram geralmente encaminhados aos núcleos já existente, instalando-se, em muitos casos, em cidades. Esta imigração pode ser caracterizada, em parte pelo menos, como de cunho político, pois pretendiam os imigrantes voltar ao país de origem quando este se tornasse independente. Alguns chegaram a voltar, mas já eram os "homens de paz", que não se adaptavam nem lá nem cá.
O maior êxodo dos ucranianos, porém deu-se após a segunda Guerra Mundial, e constitui a terceira etapa da imigração ucraniana no Paraná. Eram mais de 200 mil imigrantes, entre operários, prisioneiros de guerra, refugiados políticos e soldados da primeira Divisão ucraniana e de outras formações militares, que lutaram contra os russos. Quando aos operários, estes tinham sido trazidos de várias províncias da Ucrânia, pela administração alemã, para trabalhar na Alemanha durante a guerra.
Finda a guerra, os ucranianos tiveram que resistir ainda à forte pressão dos aliados ocidentais, que se comprometeram em Yalta a repatriar todos os cidadãos soviéticos (cláusula esta, de repatriação obrigatória, abolida em fins de 1945). Sob a proteção da ONU, que sustentou materialmente os refúgiados, conseguiram a imigração para o continente americano. Os ucranianos, a maior parte dos quais seguiu para os Estados Unidos da América, Canadá, Argentina e outros países americanos.

Fixação de Residência: Os primeiros imigrantes ucranianos no Paraná teriam sido as oito famílias vindas em 1881, que fixaram residência na colônia Santa Bárbara, entre Palmeira e Ponta Grossa. Entretanto, as maiores levas foram sem dúvida as de 1895, 1896 e 1897, quando chegaram cerca de 20 mil imigrantes aos portos de Paranaguá e Santos, sendo que a maioria dos de 1895 seguiu para os arredores de Curitiba e os de 1896 e 1897 se dirigiram a Prudentópolis e Marechal Mallet.
No começo deste século, o grupo ucraniano chegava no Paraná cerca de 24 mil integrantes, não sendo considerado um grande número dos que foram vítimas de epidemias ou pereceram de outros infortúnios.
Nova chegada maciça se deu de 1908 a 1914, em sua maioria ucranianos provenientes de Galícia. A motivação dessa leva foi a campanha brasileira para a construção da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande do Sul, quando 18.500 pessoas, vendo a oportuinidade de trabalho, deixaram seu país e se transferiram para o Paraná. Desse modo, até o príncipio da Primeira Guerra Mundial, o número de imigrantes ucranianos eleva-se a 45 mil pessoas. Após essa guerra, o número de imigrantes declinou: até a segunda Guerra, não ultrapassaram 9 mil; de 1947 até 1951, cerca de 7 mil foram registrados nos portos brasileiros, entre os quais havia muitos intelectuais, de modo que, após 120 anos de imigração, registra-se, como observado, a vinda ao Paraná de 61 mil ucranianos.
Apesar de os censos oficiais serem incompletos - pois ucranianos eram registrados nos portos de entrada, ou como austríacos ou como poloneses, conforme os passaportes fornecidos pelas autoridades do governo de ocupação das regiões de procedência da Ucrânia, pelos levantamentos em arquivos paroquiais e por pesquisas onomásticas em listas de imigrantes, calcula-se que o grupo étnico ucraniano (e descendentes) no Brasil soma cerca de 400 mil pessoas, 96,5% das quais já nascidas no Brasil. Desses 400 mil, 81% vivem no Paraná.
Comunidades ucranianas são encontradas em cidades como Prudentópolis (75% da população), Curitiba, Apucarana, Guarapuava, Dorizon, Ivaí, Irati, Pato Branco, Pitanga, Ponta Grossa, Roncador, União da vitória, entre outras.
Na capital paranaense, a maior concentração de ucranianos encontra-se ainda hoje no bairro Bigorrilho e em torno do antigo campo da Galícia, onde residem desde 1895. Há também concentrações menores na Vila Guaira, no Portão no Pinheirinho, no Abranches e na fazendinha entre outros.

Vida Econômica: A maior parte das primeira levas de imigrantes vindos ao Paraná foi encaminhada às terras pioneiras do segundo planalto paranaense. Ali tiveram que realizar todas as tarefas de desbravamento, a começar pela derrubada das matas para o plantio e estabelecimento de sua cultura. Por conseguinte, foram árduos os primeiros anos de seu trabalho; só após alguns anos cultivando laboriosamente a terra o colono conseguiu produzir o suficiente para si e para a venda.
Entretanto, essa produção não tinha possibilidade de expansão, e os colonos complementaram-na com a extração e o beneficiamento do produto predominante, a erva-mate, integrando-se na conjuntura econômica da época. Passaram também a tomar parte no transporte dos produtos agrículas e de mercadorias diversas, em grandes carroções cobertos, puxados por 8 a 12 cavalos, percorrendo distâncias enormes, entre União da Vitória, Palmas, Clevelândia, Manguerinha, Baracão e outras localidades.
À lavoura dedicavam-se nada menos que 80% dos imigrantes. Plantadores de trigo, foram os primeiros a instalar no Paraná a pequena indústria moageira, dando também início ao movimento cooperativista, fundando 14 sociedades, organizadas sob orientação do agrônomo ucraniano Valentyn Kutz, sendo pioneira a cooperativa "Svitlo" (luz), com registro datado de 15 de janeiro de 1913, em Carazinho, comarca de União da Vitória. Com a expansão pioneira, muitas famílias deslocaram-se para o Norte e o Oeste, regiões para as quais outras levas imigraram diretamente, exercendo atividades também no cultivo de café, algodão e hortelã, entre outras.
Parte dos imigrantes ucranianos dedicou-se a atividades industriais, como empresários ou operários, sobretudo no fabrico de móveis. Outros eram mecânicos e técnicos especializados; outros ainda, dedicaram-se a profissões liberais, chegando a ocupar lugar de destaque na sociedade paranaense.
Exemplos:
- Miguel Bakun, na pintura;
- Helena Kolody, na literatura;
- Serafim Voloschen, na engenharia;
- Igor Chmyz, na arqueologia;
- Afonso Antoniuk, na neurocirurgia;
- Família Demeterco, no comércio;
- Larissa Boruschenko e José Henrique Kostin, na música;
- Miguel Wouk, percursos dos estudos linguisticos ucranianos no Brasil;
- Wolodymyr Kulczynskyj, que realizou o mapeamento linguistico das regiões colonizadas por ucranianos;
- Bohdano Nestor Kobylanski, na oncologia;
- Olga Horatcguk, na biblioteconomia;
- Aleksander Zabototney, na agronomia;
- Oksana Boruschenko, na História;
- Wolodymyr Kawalaridzie, na pedologia, entre tantos outros.
Carroção colonial tracionado por oito animais (cavalos e mulas), que transportavam mercadorias no final do século XIX e meados do século XX.


Primeira escola ucraniana no Brasil- Sociedade Prosvita - Curitiba/PR - 1909
Atividade Sociais e Culturais: Uma das principais preocupações dos imigrantes sempre foi a educação. Por isso, já em 1898, fundaram, na atual Rua Comendador Araújo, entre a Visconde do Rio Branco e Brigadeiro Franco, a Prosvita, organismo cuja principal finalidade era promover e difundir a cultura da pátria de origem. Para tanto, foram fundadas uma escola especial de agricultores e uma biblioteca, abriram-se cursos especiais de arte e literatura, entre outros, e realizavam-se sessões comemorativas. Associações análogas espalhavam-se por todo o Paraná, e já em 1913 somavam 32 entidades, formadas espontaneamente sob a liderança de membros cultos da comunidade. Entretando, eram insufrutíferas as tentativas de congregá-las numa federação, com sede em Curitiba, cabendo citar os esforços dos congressos de 1910, em Curitiba, 1919 e 1922 em Dorizon.
Em 1922, em União da Vitória, era fundada a Ukrainskei Soius ("União Ucraniana"), cuja sede central, a partir de 1934, foi transferida para Curitiba. Em 1935, a associação mudava o nome para União Agrícula Instrutiva, na Rua Augusto Stelfeld, 799, onde exerce suas atividades até hoje. Trata-se, sem dúvida, da maior associação ucraniana no Brasil, com filiais espalhadas por todo o Estado.
O desenvolvimento dessas associações, entretanto, ficou paralizado por algum tempo, dada a política de nacionalização do governo brasileiro. Com o término da Segunda Guerra, porém, suas atividades educativo-culturais recomeçaram. desse modo, em 1947, a União Agrícula Instrutiva reiniciava suas atividades, e era fundada a União dos Amigos da Cultura Ucraniana, com sede na Rua Brigadeiro Franco, 347. As entidades ucranianas auxiliam-se mutuamente, estreitando cada vez mais os laços étnicos pelo intercâmbio cultural.
Após 4 anos de Independência da Ucrânia, foi instalada a Embaixada da Ucrânia em Brasília e a visita do presidente da Ucrânia, Leonid Kutchma, ao Brasil em 1995.
Fonte:Os ucranianos, 1995 - Dra Oksana Boruszenko



120 Anos da Imigração Ucraniana no Brasil
Os descendentes de ucranianos no Brasil constituem hoje uma comunidade de mais de 500 mil pessoas e estão localizados em sua maioria – cerca de 80%, ou seja, acima de 400 mil, no Paraná e os demais principalmente ao norte de Santa Catarina, mas também no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Brasília, Minas Gerias, e outros estados em pequena quantidade.
No Paraná a maior concentração de ucranianos encontra-se em Curitiba, com aproximadamente 55.000 pessoas (cerca de 3% da população local), mas o maior percentual local ocorre no Município de Prudentópolis, onde numa população de acima de 50 mil, os habitantes de origem ucraniana somam mais de 38 mil, ou seja, cerca de 75% da população local, seguido de Mallet, onde o percentual de descendentes de ucranianos gira em torno de 60%, Paulo Frontin – aprox. 55%, Ivaí e Antonio Olinto – aprox. 45%, Rio Azul e Roncador – aprox. 30%, União da Vitória e Paula Freitas – aprox. 25%, Cruz Machando e Pitanga – aprox. 20%, Irati – aprox. 12%; em outras cidades o percentual é abaixo de 10%.
Na organização civil destaca-se a Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB), que em sua forma atual foi constituída em 1985. Ela congrega e representa diante dos órgãos governamentais e entidades civis nacionais e estrangeiras as principais entidades constituídas na comunidade e suas organizações: Sociedade Ucraniana no Brasil, Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana, Sociedade Unificação, Associação da Juventude Ucraíno-Brasileira, Igreja Ucraniana Católica no Brasil e Igreja Ucraniana Ortodoxa Ucraniana no Brasil.
A Igreja Ucraniana Católica no Brasil é a maior é a maior organização comunitária de cunho religioso e cultural entre os ucranianos no Brasil. Está presente aqui, junto aos ucranianos e seus descendentes, desde 1896. Atualmente a sua hierarquia é composta pelo bispo eparca e 2 bispos auxiliares. Sua estrutura é composta de 25 paróquias, 236 igrejas, com 21 padres diocesanos e 62 padres de Ordem de São Basílio Magno atuando no Brasil e 13 no exterior. Convém ressaltar a presença de um bispo emérito, bem como de outro, que hoje atua no exterior. A destacar também há 5 congregações religiosas femininas:
- Servas de Maria Imaculada,
- Irmãs Catequistas de Sant’Ana (congregação fundada no Brasil, em Vera Guarani, Município de Paulo Frontin-PR),
- Irmãs Basilianas,
- Irmãs de São José,
- Instituto Secular do Sagrado Coração (fundado no Brasil, em Prudentópolis-PR).
Essas instituições possuem centenas de membros, atuando na pastoral junto as igrejas (atendendo crianças, jovens e adultos em sua formação religiosa e cultural), bem como em escolas, particulares e publicas, como também na direção de hospitais, centros de saúdes, orfanatos e casas de apoio aos idosos.
A Igreja Ortodoxa Ucraniana no Brasil, sob a jurisdição do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, tem 1 arcebispo, 2 protopresbíteros mitrados e 8 padres, 47 subdiáconos, 18 igrejas e 2 padres atuando fora do Brasil.
Nas diversas comunidades locais atuam Grupos Folclóricos – atualmente 24, sendo os mais antigos o Barvinok (Curitiba-1930), Vesselka(Prudentópolis-1958), Kalena (União da Vitória/Porto União-1969),Poltava (Curitiba-1985).


Os primeiros imigrantes ucranianos
Num quadro organizado a partir do livro História do Paraná, Pinheiro Machado & Westphalen (Curitiba, Grafipar, 1969), constam duas colônias oficiais criadas em 1891: Colônia Santa Bárbara – no município de Palmeira, povoada por poloneses, ucranianos e italianos e Colônia Rio Claro – no atual Município de Mallet, colonizada por poloneses e ucranianos.
As informações documentais que temos sobre os imigrantes ucranianos encaixam-se exatamente nessas datas.
Temos o testemunho pessoal de Ivan Pasevich, que em suas memórias – publicadas inicialmente no jornal “Pracia” de Prudentópolis no dia 22/12/1951 – escreve que saiu da Ucrânia, da vila Serveriv, Município de Zolochiv, no mês de maio de 1891, junto com seus pais Teodoro e Sofia e mais três irmãos, ou seja, 6 pessoas, que se estabelecem na Colônia Rio Claro. Informa também, que junto com eles chegaram ao Brasil, até Paranaguá, mais 3 famílias ucranianas.
Esta documentada também a chegada de outra 6 famílias, num total de 32 pessoas, que em 1891 se estabelecem na Colônia de Santa Bárbara, no Município de Palmeira – PR, vindas também de aldeias da Ucrânia ocidental, da região de Zolochiv: Trostanets Malyi, Kotliv. Alguns cognomes desses emigrantes: Harasym, Borchakowskyi, Stecz, Pschitchnyi, Moskalevskyi. Esse foi o começo, modesto, mas documentado. Por isso em 1991 comemoramos o Centenário do inicio da imigração ucraniana no Brasil e em 2011 comemoramos os 120 anos.
Naturalmente o fluxo imigratório se intensificou nos anos seguintes e em 1895 tomou proporções muito grandes (fala-se na vinda de mais de 5 mil famílias) e continuou intenso até pelo menos 1911. Houve também um modesto fluxo imigratório após a 1ª. Guerra Mundial e outro após a 2ª. Guerra Mundial.

Após a independência da Ucrânia (a partir de 1991) registra-se a vinda ao Brasil de algumas dezenas de ucranianos que aqui fixaram residência permanente. Trata-se – em sua maioria – de profissionais altamente qualificados, que aqui encontraram meios de vida estável. Outros que aqui chegaram por razões diversas, obtiveram a permanência em virtude de casamento com brasileiros ou por legalização.
Há que destacar-se a importante contribuição dos ucranianos na colonização e desenvolvimento da agricultura no centro-sul do Paraná e no centro-norte de Santa Catarina, no início do plantio de centeio e trigo e outros cereais, na implantação do sistema de cooperativas, enfim, no desbravamento e desenvolvimento dessa região. Dos filhos, netos e bisnetos dos valentes emigrantes formaram-se empresários, profissionais liberais como engenheiros, médicos, advogados, dentistas, e outros, como também professores, líderes comunitários, políticos, enfim cidadãos atuantes, que ajudaram em muito a promover o progresso da região sul e de todo o Brasil.

Na cultura destacaram-se dois nomes – merecedores de todo o respeito e admiração: o pintor Miguel Bakun, nascido em Mallet-PR, filho de emigrantes ucranianos, conhecido pelas suas obras de arte como o "Van-Gogh" do Paraná, cujo centenário de nascimento foi oficialmente comemorado no Estado do Paraná em 27/10/2009; e o outro nome ilustre é o da poeta maior do Paraná, Helena Kolody, também filha de emigrantes ucranianos, nascida em Cruz Machado-PR em 12/10/1912, cuja obra poética é merecedora da mais alta admiração.

Por essas personalidades, e tantas outras, em sua maioria anônimas, mas atuantes e merecedoras de admiração e reconhecimento, continua essa linda história de 120 anos, que engrandece os ucranianos e seus descendentes, nesse país que os acolheu, vindos de uma pátria distante, hoje livre e soberana.
Fonte: Mariano Czaikowski, Cônsul Honorário da Ucrânia em Paranaguá