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Praça Ucrânia
Localização: entre as ruas Capitão Souza Franco e Padre Anchieta e a Av. Cândido Hartmann – Bigorrilho Curitiba - PR.
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História da Praça Ucrânia Curitiba

A comunidade ucraniana do Brasil desde muito tempo almejava possuir um logradouro público na Capital do Estado do Paraná que fosse denominado UCRÂNIA.
No final da década de 60, quando era Prefeito Municipal o Gen. Iberê de Mattos, as diversas etnias mobilizaram-se, e dirigindo-se ao mesmo, reivindicaram a designação de algumas das praças da cidade com as denominações de seus países de origem. Assim também procedeu a comunidade ucraniana radicada no Brasil.
Para tanto, os dirigentes das quatro principais entidades atuantes na colônia ucraniana - Igreja Católica do Rito Oriental Ucraniano; Igreja Ortodoxa Ucraniana; Clube Ucraíno-Brasileiro e Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana – estabeleceram uma diretriz consensual para, através dos então deputados estaduais Pe. Valdomiro Haneiko e Rafael Kulisky solicitarem aos Poderes Municipais que designassem a quadra então conhecida por "Campo do Potí", sita entre as ruas Martim Afonso, Pe. Anchieta, Desembargador Mota e Brigadeiro Franco com a denominação de Praça Ucrânia. A mesma, a título precário, até essa época era usufruída por uma entidade esportiva denominada Potí Esporte Clube para a prática de futebol de seus associados. O Sr. Prefeito Iberê de Mattos, sensibilizado com a reivindicação dos ucranianos, porquanto uma grande parte dos mesmos residia nas adjacências do mencionado logradouro, enviara uma mensagem à Câmara Municipal propondo que aquela quadra recebesse o nome de Praça Ucrânia. A mensagem do Executivo fora então aprovada pelos srs. Vereadores e transformada em Lei Municipal que a seguir fora sancionada pelo Sr. Prefeito.
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E após alguns dias, com a presença de um razoável número de membros da comunidade ucraniana, numa manhã dominical, o Gen. Iberê de Mattos, descerrou a Placa com a denominação de Praça Ucrânia, afixada numa das residências sita na Rua Martim Afonso defronte ao respectivo logradouro público. Entre os oradores que se apresentaram na ocasião, além do próprio Prefeito, usou da palavra o representante da colônia na Assembléia Legislativa, Dep. Est. Rafael Kulisky, que teceu considerações elogiosas à louvável atitude das autoridades municipais de Curitiba por atenderem aos anseios dos munícipes ucranianos.
Assim pois, o logradouro do "Campo do Potí" passou então a denominar-se Praça Ucrânia. Todavia, durante 5 ou 6 anos posteriores, nada fora feito pela Prefeitura Municipal ou, pela própria comunidade, para dar ao local uma aparência de praça pública, pois toda a quadra era circundada por tapumes de tábuas de cerca de 3,00 metro de altura, que impediam às pessoas a adentrá-la, como se fosse uma propriedade particular.
No ano de 1962, fora eleito para o cargo de Prefeito Municipal de Curitiba o Eng. Ivo Arzua Pereira e, tão logo empossado nas funções, procurou dar à sua administração uma tônica de modernidade e progresso para a Cidade de Curitiba. Iniciou a remodelação e reconstrução do centro, abrindo ruas e avenidas que já então obstruíam o incipiente trânsito de veículos. Procurou também, desenvolver dentro de um projeto global, os bairros mais próximos do centro.

Entre estes estava o então conhecido vulgarmente como "Campo da Galícia", no qual se situava a já referida praça. E, sabendo que o local já havia sido denominado legalmente como Praça Ucrânia pelo seu antecessor, entrou em contato com a comunidade ucraniana para inteirar-se das providências mais adequadas, que esta tomaria para reaver a área da qual o clube esportivo se apossara e já pretendia mover ação de usucapião em seu benefício. Estava, pois posto o dilema: sem a saída do "Poti" e sem a retirada da cerca de tábuas, não seria possível projetar e construir uma praça no local.
No início ano de 1963, para que o assunto fosse examinado entre as partes interessadas e para que fosse encontrada uma solução, o Engenheiro Arzua, procurou o autor do presente relato, Ambrosio Choma, que então exercia temporariamente o mandato de deputado estadual pelo Partido Democrata Cristão, representando a comunidade ucraniana no Paraná. Em audiência concedida ao mesmo no antigo Paço Municipal da Praça Generoso Marques, o sr. Prefeito expôs o seu plano de dotar Curitiba na sua gestão de uma grande e aprazível praça à população curitibana naquele local. Disse ainda que sua intenção era edificar uma praça com a denominação da data histórica de "29 de Março", pois a Capital do Estado não possuía nenhum logradouro público com esta denominação cívica.
Estátua de bronze do poeta ucraniano Tarás Schevtchenko feita pelo escultor francês Charles André. Com 2,50 m de altura, a obra possui pedestal de três metros.
Explicou então, que o local denominado Praça Ucrânia, por ser amplo, e bem situado no mapa da cidade, seria o mais adequado para tornar-se a Praça 29 de Março. Em razão disso, incumbiu o Dep. Ambrosio Choma a procurar os representantes da comunidade ucraniana curitibana a fim de lhes expor o plano e convidá-los a participar de uma reunião em seu gabinete para troca de opiniões a respeito do assunto.
Os ucranianos de Curitiba, que nessa época já possuíam constituída uma comissão mista de representantes das suas entidades sociais, culturais e religiosas – denominada "Comitê pró Construção da Praça Ucrânia e do Monumento a Tarás Chevtchenko" -- concordaram em comparecer na sede da Prefeitura Municipal para ouvir o Sr. Prefeito. Portanto, um grupo constituído por cerca de quinze pessoas, compareceu ao gabinete do Chefe do Executivo Municipal na data e no horário previamente marcados. Ao abrir a sessão, o Sr. Prefeito Ivo Arzua Pereira, indagou dos presentes se a comunidade teria condições financeiras, técnicas e jurídicas suficientes para, por sua própria conta, executar o projeto de construção da Praça Ucrânia na quadra que lhe havia sido designada pelo prefeito antecessor.

Explicou ainda que, mesmo que tal viesse a ocorrer, aquele logradouro continuaria sendo de domínio público e continuaria pertencendo integralmente ao patrimônio municipal.

A comunidade ucraniana seria beneficiada tão somente com o nome "Ucrânia" dado àquela praça. Ora, durante a reunião que ocorria, nenhum dos membros da comunidade pôde afirmar que esta teria condições de edificar a nova praça por sua própria conta. Portanto, outra solução teria que ser encontrada. Daí pois, o Sr. Prefeito propôs aos presentes a seguinte alternativa: "desde que a colônia ucraniana venha a concordar, a Municipalidade designará outro logradouro para receber o nome de Praça Ucrânia e assumirá o compromisso de elaborar um projeto que será submetido à apreciação do Comitê e, se for aprovado pelo mesmo, toda a obra será executada às custas do Municipalidade". Disse ainda o Prefeito que, uma vez acatada esta proposição pela comunidade ucraniana, o Executivo tomaria todas as providências de ordem jurídica necessárias à alteração da lei anterior, pela Câmara Municipal, mudando o nome de Praça Ucrânia para Praça 29 de Março e denominando como Praça Ucrânia outro logradouro da cidade que fosse escolhido pela comunidade ucraniana.
A fim de encerrar o encontro, usou da palavra o Presidente do Comitê, Sr. Estevão Kobylanski, que agradeceu o interesse do Sr. Prefeito pela causa comunitária e solicitou o prazo de alguns dias para que a colônia pudesse estudar melhor a proposta e fornecer-lhe a decisão a respeito da mesma.
HOLODOMOR - Homenagem às vítimas da Grande Fome de 1932/1933
Então, o Comitê, em reunião na sede da União Agrícola Instrutiva, com a presença de um maior número de pessoas, após examinar e discutir a proposição do Dr. Arzúa, concluiu que a mesma era boa e satisfazia plenamente os anseios da comunidade. Já no dia seguinte alguns dos membros do Comitê pró Construção da Praça Ucrânia e do Monumento a Tarás Chevtchenko saíram em grupo à procura de um novo local para a Praça Ucrânia, dando preferência para os bairros Bigorrilho, Mercês e Campo da Galícia, nos quais residia uma grande parte da colônia ucraniana.
Ao chegarem ao local então denominado Largo Atílio Peixoto gostaram muito do mesmo, tanto da localização como da situação topográfica, pois este situa-se no alto, com uma bela vista panorâmica da cidade e da Serra do Mar ao fundo. Ali mesmo, decidiram que esse largo deveria ser a futura Praça Ucrânia. Por isso, ficou o Dep. Ambrosio Choma, (que também era o primeiro secretário do Comitê), incumbido de levar ao conhecimento do Prefeito a decisão e a respectiva escolha do novo logradouro por parte da comunidade ucraniana. Por sua vez, o Dr. Arzua prometeu dar início de imediato ao processo administrativo para a concretização do seu projeto. O Dep. Choma, tornou-se responsável pelos contatos mantidos com os técnicos municipais durante a elaboração do projeto da praça.
A responsabilidade do projeto urbanístico ficou a cargo do jovem Arquiteto Jaime Lerner (posteriormente Prefeito Municipal por 3 mandatos e atualmente Governador reeleito do Estado do Paraná), cujo escritório, então localizado na Praça General Osório, prestava serviços à Prefeitura Municipal de Curitiba.

O Dr. Jaime Lerner, já no final de 1964 estava com o anteprojeto praticamente elaborado, cuja cópia entregara ao sr. Ambrosio Choma para que este a apresentasse aos membros do Comitê para exame e a conseqüente aprovação. Como o anteprojeto atendia ao gosto da maioria dos membros, o Comitê aprovou-o com mínimas alterações. Durante o período da elaboração do projeto da praça, o Poder Executivo tratou de aprovar na Câmara Municipal o projeto de lei que daria amparo legal a todas as resoluções relativas ao programa urbanístico. Uma vez aprovada a mensagem do Executivo e sancionada a conseqüente Lei Municipal, o Departamento de Obras providenciou a retirada dos tapumes do Campo do Poti, já transformado formalmente em Praça 29 de Março e iniciou a terraplanagem do terreno no qual seria implantada a nova Praça Ucrânia.

Por sua vez, o Comitê pró Construção da Praça Ucrânia e do Monumento a Tarás Chevtchenko, iniciou uma campanha entre os ucranianos e seus descendentes radicados no Brasil, objetivando arrecadar recursos financeiros, para a construção, na própria praça, de um monumento em homenagem ao maior poeta da Ucrânia. Durante um período de cerca de dois anos, os componentes do Comitê reuniam-se freqüentemente para discutir e aperfeiçoar o projeto da estátua, cuja elaboração estava a cargo do escultor francês Charles André, que na época residia em Curitiba. Fazia-se um acompanhamento permanente da execução do protótipo em barro cerâmico pelo citado escultor, o qual acatava de bom grado as críticas e sugestões de ordem artística e cultural, por parte da elite ucraniana brasileira. Quando, finalmente, o protótipo ficara pronto, o Comitê remeteu-o à cidade de São Paulo, onde foi feita a fundição da estátua em bronze. O pedestal, em granito rosa, foi executado pela firma Construtora Greca, de Curitiba.

A Praça foi concluída durante o mandato do saudoso Prefeito Eng. Omar Sabbag e a sua inauguração, juntamente com a do monumento a Tarás Chevtchenko, ocorreu em solenidade especial no dia 29 de outubro de 1967. Nessa ocasião, em nome da Comunidade Ucraniana no Brasil, usou da palavra o Eng. Ambrosio Choma, destacando o importante significado histórico que aquelas inaugurações representavam para os ucranianos e seus descendentes que viviam livres nas terras brasileiras porquanto na sua pátria de além mar, seus compatriotas sofriam a dominação estrangeira do regime stalinista. No encerramento da solenidade o Dr. Omar Sabbag, pronunciou um empolgante discurso afirmando ser ele também descendente do povo sírio-libanês, o qual, juntamente com as demais etnias aqui radicadas, contribuía para o progresso e a grandeza da Pátria Brasileira. Congratulou-se com a gente ucraniana por ter concretizado seu sonho de marcar a sua existência produtiva no solo brasileiro.

A partir da entrega da Praça Ucrânia, a população da nossa bela e acolhedora Cidade Sorriso, vem usufruindo das mais diversas maneiras de lazer, entretenimento, apresentações culturais e folclóricas, e atos cívicos naquele aprazível logradouro público, localizado num dos mais progressistas e modernos bairros da cidade, o Jardim Champagnat.

Curitiba, 21 de setembro de 1999.
Ambrosio Choma

Fonte: Publicado no extinto site Ucranianos no Brasil.
Foi o primeiro site brasileiro a divulgar a cultura ucraniana na língua portuguesa.

Nota: Este texto foi escrito baseando-se em alguns apontamentos pessoais do autor e, principalmente tirados da sua memória, uma vez que o mesmo participou, como testemunha ocular, de todos os fatos relatados. Lamentavelmente, os documentos relativos aos acontecimentos, bem como dois livros de atas pormenorizadas que haviam sido elaboradas durante todo o período aqui descrito, encontram-se em local ignorado, talvez em poder de alguém que não os deseja trazer a público.
O Comitê pró Construção da Praça Ucrânia e do Monumento a Tarás Chevtchenko era constituído por 8 (oito) membros, a saber: dois indicados pela Clube Ucraíno-Brasileiro; dois, pela Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana; dois pela Igreja Católica do Rito Ucraniano e dois pela Igreja Ortodoxa Ucraniana. Não obstante, durante o período de sua atuação, vários de seus membros foram substituídos em rodízio por indicação das respectivas entidades constituintes. Assim, portanto, desejamos citar a seguir as pessoas que vieram a participar daquele comitê:
a) Representantes do Clube Ucraíno-Brasileiro: Sr. Estevão Kobylanski, Sr. Elias Horatchuk, Eng. Estefano Mikilita, Sr. Eugênio Kohut e Sr.Stephan Plahtyn:
b) Da Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana: Prof. Nicolau Hec, Deputado Rafael Kulisky, Dr. José Dilay;
c) Da Igreja Católica do Rito Ucraniano: Pe. Nicolau Iwaniw,OSBM, Eng. Serafim Voloschen e Eng. Ambrosio Choma;
d) da Igreja Ortodoxa: Sr. André Tchaika, Sr. Miguel Holub e Gen. Andryj Dolud.

Das 14 pessoas acima relacionadas, 11 já faleceram. Ainda estão vivos os srs. Dr. José Dilay, Stephan Plahtyn e Ambrosio Choma. Durante o período da atividade executiva do Comitê, a presidência dos trabalhos e sessões cabia alternadamente a uma das quatro entidades constitutivas, a qual indicava um de seus dois membros participantes para exercitá-la pelo período de uma ano. Por outro lado, as reuniões também eram realizadas em alternância nas sedes das referidas entidades. As opiniões dos membros eram debatidas democraticamente e as decisões finais eram sempre tomadas quando o "colegiado" conseguia chegar ao consenso dos membros presentes à sessão. Todas a propostas, discussões e deliberações eram registradas no Livro de Atas pelo secretário em exercício.
Já na data da constituição do Comitê, para o cargo de 1º Tesoureiro fora eleito o representante da Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana, Advogado Dr. José Dilay, que passou a exercer estas funções ininterruptamente durante todos os anos da existência do órgão (até a extinção em 26/10/83). Foi de grande valia a sua abnegada dedicação à causa. E por ter sido um membro sempre presente na atuação do Comitê e, portanto, ter sido uma testemunha fidedigna dos fatos ocorridos, coube-lhe revisar o presente texto. O autor, fica-lhe imensamente grato pela inestimável colaboração. O comitê foi extinto em 26 de outubro de 1983. Nessa data havia um saldo no valor de Cr$ 787.568,00, depositado em banco, remanescente da campanha financeira para a execução do monumento. Na reunião de encerramento, o sr. Tesoureiro responsável, Dr. José Dilay, ficou incumbido de rateá-lo em partes iguais entre as entidades constitutivas do referido comitê. A cada uma das entidades, a saber -- Igreja Ucraniana Ortodoxa; Igreja Ucraniana Católica; Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana e Sociedade União Agrícola Instrutiva / Clube Ucraíno Brasileiro – coube a quota de Cr$ 196,891,00.

Dr. José Dilay
Filho de ucranianos, José nasceu em Prudentópolis, no sudeste do estado. O município e seu entorno concentram a maior colônia paranaense de imigrantes vindos da Ucrânia. Mudou-se para Curitiba ainda jovem. Ao longo da vida, participou ativamente da vida da comunidade ucraniana. Envolveu-se com projetos que celebram a cultura do país de seus pais, tendo sido um dos membros fundadores da Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana, assim como da comissão fundadora da Praça da Ucrânia. Também auxiliou na construção da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, na Rua Martin Afonso, que atende a comunidade. Formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná, trabalhou toda sua vida como servidor público federal, se aposentando como Procurador da Fazenda depois de 51 anos de atividade. Após se aposentar, José passou a se dedicar a ajudar a família e os amigos. Gostava de aconselhar aqueles que o procuravam, ponderando sobre a situação que causava preocupações. A família o descreve como um pai presente. Deixa a esposa, Labenira, três filhos e seis netos. Sr. Dilay faleceu dia 24 de novembro de 2011, aos 95 anos, de causa não informada.