Portal Ucraniano
Religião Ucraniana
Liturgia ucraniana
Vídeo retirado do facebook.com - autor desconhecido
A Liturgia ucraniana é um ramo da Bizantina, que tem origem na de jeruzalém, de São Tiago, reformada por São Basílio Magno e abreviada por São João Crisóstomo.

O rito ucraniano manifesta mais genuinamente a sua singularidade principalmente na sua liturgia. Um traço marcante da alma do povo ucraniano é a sua profunda sensibilidade, que se expressa sobretudo no amor à música, na poesia e na tendência ao misticismo. Pelo fato de o rito oriental encarnar essas características, é que melhor corresponde à psicologia e à mentalidade do povo ucraniano. É por esse motivo que esse povo tem tanto amor à sua Liturgia e sente tanto a sua falta onde não pode dela participar. A Comunhão Eucarística é feita sob as duas espécies e é o ponto central do ser espiritual daquele que vive a sua fé cristã.
A variedade de cantos, hinos, tempos de jejum, como também o incenso e velas, tanto nas igrejas como nas casas, constituem igualmente uma singular expressão de fé e de amor a Deus e aos santos, em especial à mãe de Deus. O povo tem a Igreja como a Casa de Deus, a morada do nosso Pai comum.



Páscoa ucraniana
Páscoa ucraniana
A Páscoa na Ucrânia é festa nacional no seu sentido pleno e exato, quando as melodias do Christós Vosckrés se derramam por toda a extensão nacional, quando se realizam as brincadeiras populares das Hailkas, porque são símbolos da primavera, da vida e da alegria.

Já durante a Quaresma ele prepara as Pêssankas, ovos coloridos pintados à mão, trabalho de tradição milenar e mais antiga expressão de arte popular de todo o mundo eslavo.

Pêssankas que seriam benzidos na Páscoa, juntamente com outros alimentos como carne, manteiga, queijo ou requeijão, sal, raízes amargas, (chryn) e pásca, que é um bolo especial preparado somente para essas ocasiões. Esses alimentos são levados em cestas ou em bandeijas até a Igreja onde o sacerdote as benze.
A Pásca e o restante dos alimentos só são provados no Domingo de Páscoa, quando o chefe da casa oferece a todos os membros da família, pedaços de ovos, os saúda com a bela notícia de que Cristo ressucitou: Christós Voskés e responde Voísteno Voskrés. Esta saudação é nacional durante o período pascal.



Natal ucraniano
Natal ucraniano
Desde os tempo quando a Ucrânia se converteu ao cristianismo, no século X, a festa do Natal foi enriquecida no decorrer dos tempos, de cerimônias e costumes típicos, de melodias originais, das canções natalinas chamadas "KOLHADA", melodias típicas que simbolizam e fazem reviver todas as circunstâncias do Nascimento de Jesus.

Na véspera de Natal, já desde bem cedo, a dona da casa trabalha arduamente para preparar 12 iguarias diferentes que devem ser servidas na ceia. É uma questão de honra da dona de casa preparar as 12 iguarias. Entre essas se destacam:
Kutiá - um preparo de grãos de trigo escolhidos, socados num pilão, são cozidos, depois adicionados com mel e sementes de papola e passas.
Bortch - uma sopa especial a base de repolho e beterraba e outros ingredientes:
Varénekê - pastéis de requeijão que se come com nata, prato predileto dos ucranianos; pastéis recheados com doces de frutas, peixe fresco entre outras.
O chefe da família, juntamente com os seus aguarda o aparecimento da estrela vespertina. É o sinal em que todas as famílias vão iniciar a ceia, colocando uma vela acesa ao meio das iguarias já alinhadas pela dona.
Todos se reúnem ao redor da mesa, rezam em voz alta, pedindo bênção e graça ao menino Jesus para que possam se encontar novamente para celebrar o Nascimento de Jesus.
Esses dias de comemoração sensibilizam a alma do povo e o absorvem totalmente, demonstrando assim a grandeza de sua crença e de sua fé nos destinos do homem como peregrino nesta terra que anseia pela conquista da felicidade eterna.



Em Busca Do Sagrado - Ritos Orientais
Fonte: www.youtube.com
 
Vale a pena assistir o documentário, em busca do sagrado, apresentado pelo teólogo Robert Rautmann.

Rautmann entrevista Dom Volodemer Koubetch, Arcebistpo Metropolita dos Católicos Orientais, Pe. Joaquim Sedorowicz, Pároco da Catedral ucraniana São João Batista de Curitiba e famílias ucranianas.

Eles explicam a diferença entre os ritos orientais e ocidentais, a arte, cultura e a liturgia ucraniana e seu simbolismo.



História da religião ucraniana no Brasil
Cardeal Silvestre Symbratovytch Arcebispo de Lviv, que enviou os primeiros sacerdotes ucranianos ao Brasil
Ano de 1896, chegava ao Brasil, sob o mandato do cardeal Silvestre Symbratovytch, o jovem e dedicado Padre Nicon Rozdolsky, que desde o início sentiu as dificuldades e problemas do povo. Veio para a colônia de Rio Claro, iniciando uma nova página na história da Imigração Ucraniana no Brasil. Estabeleceu-se na colônia 5, na residência de Teodoro Potoskei. Desde o início se preocupou com a organização da vida religiosa, social e cultural de seus fiéis. Apareceram colaboradores mais ativos e conscientes entre os seus patrícios.

Já no início de 1897, é convocada uma reunião de todos os lavradores da região, que compreendia 6 colônias além dos vicinais. Foi planejada e decidida a construção de uma igreja, uma moradia para o sacerdote, e duas sala: uma para as reuniões e outra para a biblioteca.
Foi escolhida então a colônia 5 como o ponto central da região e onde deveria ser edificada a igreja e a residência sacerdotal.

Para se obter verba suficiente para a obra, foi estabelecido que as famílias da quarta, quinta e sexta colônias colaborariam com 20 mil Réis; os da primeira, segunda e terceira, com 10 mil Réis.
Ofereceram-se para a execução da obra uns vinte homens, mediante pequeno salário. A chefia da construção foi entregue a Panás Zawadski, de Barra Feia (Fluviópolis). Meados de janeiro a meados de fevereiro de 1897, o terreno foi aplainado, serrada a madeira e transportada para o local da obra.

No dia 14 de fevereiro, um domingo, o Pe. Nicon benzeu o local, e já na segunda-feira foi iniciada a construção da igreja, em 55 dias a igreja foi construída, tempo recorde. No dia 10 de abril foi colocado solenemente o cruzeiro no alto da igreja. No dia 11 de abril o Pe. Nicon fez a solene benção da primeira igreja Ucraíno-Católica do Brasil e em seguida celebrou a Santa Missa.

Os construtores da igreja da colônia 4 foram: o pe. Nicon, Teodoro Potoskei, Gregório Montchak, Miguel Maliuta, Tomás Bartchechen, Basílio Potoskei, Teodoro Baran, José Hretziv, João Ferensovich, Demétrio Kabuletski e Alexandre Trista. Da colônia 6 foram: Haracem Sembay e Basílio Trach.

As despesas da construção, sem o material que foi doado somaram 2.800 Réis. Foi formado um Comitê Paroquial composto de 24 membros, sob a presidência de Demétrio Korjan, o mais velho imigrante ucraniano de Rio Claro, e que foi também o primeiro negociante e dono do primeiro moínho colonial da colônia 5.
O Pe. Nicon organizou 4 associações paroquiais: a dos homens de São Nicolau: a das senhoras do Santos Sacramentos e a dos Jovens, além de um coro misto.
Inaugurada a igreja, o Pe. Nicon começou a construção de uma nova residência com duas salas maiores. Ainda em 1897, pelo preço de 1.000 Réis, com exceção do material que foi doado estava pronta a residência.

No dia 25 de julho de 1897, domingo após a Missa, realizou-se uma grande assembéia, quando foi fundada a primeira Associação Sócio-Cultural Ucraniana no Brasil, com sede numa das sala recém-construídas, e noutra sala foi inaugurada uma sala de leitura ("Tchytálhnia") sob a orientação do pe. Nicon, Gregório Kultcheskei, tido como pessoa de grande cultura; Gregório Montchak, tido como o mais célebre pioneiro ucraniano de Rio Claro: Teodoro Potoskei, tido como iniciador de todas as obras no campo cultural.

Em agosto de 1897 foi aberta a primeira escola Ucraniana no Brasil, com matrícula inicial de 40 alunos. Na escola se lecionava religião, português, ucraniano e contas(matemática).

Incicialmente quem dava aulas, todos os dias era o Pe. Nicon, até o meio-dia. Mais trade foi convidado o professor João Lech, que lecionava numa escola polaca de Rio Claro.
A escola da colônia 5, pelo número de alunos e pela organização, tornou-se modelo para as futuras escolas, que seriam criadas em outras colônias. Por essa ocasião, já havia na região de Mallet cerca de 5.000 mil ucranianos.

Fonte: Jornal Malletense, Nº 14, 30 de abril de 1997.

São Miguel Arcanjo Foto: Kotviski


Pe. Nikon Rozdolsky - primeiro sacerdote ucraniano no Brasil
O Pe. Nicon Rozdolsky nasceu na Ucrânia em 1866. Veio para o Brasil em julho de 1896 e se dirigiu para Prudentópolis, onde atendeu o povo durante um curto espaço de tempo, pois logo recebeu ordens de seus superiores para dirigir-se à Colônia de Rio Claro (Município de Mallet), como foi descrito no início desta página.

Além de construir a primeira igreja da Colônia 5 (Divino Espírito Santo), construiu também uma das igrejas mais antigas e bonitas do Brasil: a Igreja de São Miguel Arcanjo - Serra do Tigre, que preserva o seu estilo original.

Ela foi construída pelo próprio povo, em 1903, que ao se dirigir à missa, transportava às costas todo o material de construção. Foram homens, mulheres, jovens e crianças carregando todo o material, subindo o morro da Serra do Tigre, que possui alguns kilômetros de extensão. Pe. Nicon foi um grande batalhador. Sabia lidar com o povo que o obedecia sempre. Ensinava às crianças o catecismo, o canto litúrgico e as canções populares. Infelizmente após anos de duras lutas e sacrifícios, o Pe. Nicon adoeceu vítima de hepatite e entregou sua alma a Deus, em novembro de 1906. Seu corpo repousa no cemitério que fica junto à Igreja de São Miguel Arcanjo, na Serra do Tigre.
Após a morte do Pe. Nikon, os Padres Basilanos começaram a trabalhar na Serra do Tigre. Inicialmente o Pe. Cirílo Semkiv. Depois o Pe. Paulo Petrechkey.

Fonte.: Mê Rostemo N° 60
Texto.: Neuza Maria Ivaniski / Mallet - PR

Pe. Nikon Rozdolsky (1866-1906)


Dom José Romão Martenetz - primeiro eparca da igreja ucraniano-católica no Brasil

Dom José Romão Martenetz - (1903-1989)
Dom José Romão Martenetz, OSBM, nasceu em Lviv, Ucrânia, em 02 de fevereiro de 1903. Em 1912 veio com os pais para o Brasil. Tendo feito os estudos ginasiais e o curso de Filosofia no Seminário diocesano de Curitiba, voltou a Europa, onde ingressou no noviciado Basiliano em Mukacziv, Ucrânia Zacarpática. Após o noviciado estudou Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, concluindo o curso com doutorado. Foi ordenado sacerdote em Roma em 01 de janeiro de 1928, voltando em seguida para Ucrânia, onde exerceu funções pastorais, lecionou e trabalhou na direção do seminário basiliano em Uzhorod, foi redator do "Mensageiro do Sagrado Coração de jesus" e consultor provincial.

Retornou ao Brasil em 1935, assumindo no mesmo ano a redação do jornal "Prácia", lecionou no seminário São José, sendo seu co-fundador junto com seu colega de estudou na Ucrânia, Pe. Josafat Roga. Sempre foi um sacerdote exemplar e dedicado ao trabalho pastoral. Em 1939 foi eleito vice-provincial e em 1948 provincial da Província Basiliana de São José no Brasil. No ano de 1953 foi a Roma, onde exerceu o cargo de Protoconsultor da Ordem Basiliana e Reitor do Pontifício Colégio de São Josafat.
No Brasil, dedicou-se com todas as suas energias ao trabalho em prol do rebanho de Cristo, demonstrando grande zelo pastoral, Em junho de 1958, Sua Santidade o Papa Pio XII nomeou-o primeiro bispo para ucranianos católicos no Brasil, recebendo a ordenação episcopal em 15 de agosto de 1958, em Roma, na Igreja de São Sérgio Bácco.

sempre atento às necessidades dos fiéis e pronto em atender a todos que a ele se dirigiam pedindo ajuda, conselho ou consolo.

Dom José Romão Martenetz foi um grande exemplo para todos, sob todos os aspéctos: humano, intelectual, pastoral e religioso. Um sacerdote, religiosos e bispo totalmente entregue a Deus e à causa do Evangelho.

Acometido de derrame cerebral, passou 8 anos paralizado e sem fala, aceitando a doença com total entrega à vontade de Deus. Faleceu em opinião de santidade em 23 fevereiro de 1989, sendo sepultado na cripta da Catedral São João Batista em Curitiba - PR.

Mais detalhes: Boletim Eparquial eletrônico em formato PDF - clique aqui...



Pe. Valdomiro Haneiko (1910-1999)
Pe. Valdomiro Haneiko: Pe. Valdomiro Haneiko nasceu no dia 19 de setembro de 1910 em Nova Galícia, Santa Catarina. Aos sete anos começou a frequentar a escola primária em Dorizon, Paraná, para onde se transferiram seus pais.

Aprendeu a língua ucraniana com os professores Estefano Petrytsky, Procópio Biliak e Valentin Kutz.
Em 1924 frequentou o Colégio de Santo Antônio, em Blumenau, ingressando, no ano seguinte, no Seminário Menor de Curitiba, onde terminou o curso ginasial e filosófico.
No ano de 1932 foi enviado a Roma, estudando no Colégio de São Josafat do Gianicolo.
Em 1936 foi ordenado sacerdote, voltando no mesmo ano ao Brasil para assumir os trabalhos pastorais em Mallet, mais tarde em Vera Guarani e finalmente em Ponta Grossa.
Em Ponta Grossa, além de cuidar dos ucranianos católicos (tarefa que lhe foi entregue por Dom Antonio Mazzarotto), assumiu a cadeira de Latim, Português e Geografia no Curso Pré-Jurídico.

Em 1942 foi transferido para Castro com o fim de dirigir o Colégio Diocesano de Santa Cruz, onde permaneceu sete anos, transferindo-se mais tarde para União da Vitória como professor de Português no Colégio Estadual Túlio de França e para atender aos colonos ucranianos de Mallet e arredores. Isto se deu em 1953.
Em 1955 foi transferido para Apucarana, exercendo o cargo de Reitor da missão ucraíno-católica e trabalhando como professor de Português no Colégio Estadual Nilo Cairo. Em 1958 foi eleito Deputado Estadual do Paraná, residindo em Curitiba, mas continuando a atender seus antigos paroquianos.

Em 1962 foi nomeado inspetor Regional de Ensino em Apucarana, onde construiu a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Colônia Nova Ucrânia.
Foi o autor do livro "Em defesa de uma cultura", publicado em 1974 com tiragem de três mil exemplares.
Nos Congressos da Juventude Ucraíno-Brasileiro que se realizaram em São Paulo, Curitiba, Ponta Grossa e Pitanga, participou ativamente.
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou uma série de seus artigos que tratavam de problemas ucranianos. Colaborou com artigos em jornais de Curitiba e Apucarana.

Enfim, por Decreto Canônico de 23 de julho de 1980, foi nomeado Vigário Geral da Eparquia São João Batista de Curitiba, mas continuou em Apucarana para atender os seus fiéis de rito ucraniano. Faleceu em Apucarana no dia 4 de dezembro de 1999.



Pe. Vidal Adriano Klumczuk (1936-2009)
Pe. Vidal Adriano Klumczuk: Padre Vidal nasceu em Cruz Machado, PR. em 16 de agosto de 1936. Fez os estudos primários em Rio das Antas, município de Dorizon, PR, e o ginásio no Seminário São José em Prudentópolis, PR e em Ivaí, PR. Entrou no noviciado dos Padres Basilianos em Ivaí em 1954. Foi ordenado diácono em 1964 em Curitiba, e sacerdote no dia 31 de janeiro de 1965 em Prudentópolis pela imposição de mãos de Dom José Martenetz, OSBM. Em sua vida exerceu as funções de professor, pároco e missionário. Trabalhou nas localidades: Prudentópolis, Curitiba, Ponta Grossa, Pato Branco, Roncador, Guarapuava, Pitanga, Inglaterra e no Casaquistão. Foi um exemplo de dedicação ao trabalho pastoral e missionário, conservando sempre o zelo pela Igreja, pelo povo. Também demonstrou grande amor à natureza. Padre Vidal faleceu no dia 20 de junho de 2009.